- Ah não, aí também já é demais. True Blood também? - o garoto ria com um sorriso cansado, mas genuíno.
A vítima de tais palavras se mostrou assustada. O tal estranho surgira do nada, enquanto ela passava por uma coluna do colégio em que fazia curso.
Ele agora não estava mais em pé, em sua frente. Sentava-se no terceiro degrau da escada ao seu lado, enquanto falava:
- Desculpe pelos meus modos, mas, há alguns dias eu venho te observando, er, Lisa. - agora seu sorriso não era mais de cansaço e sim como se estivesse envergonhado pelo o que dissera.
- Ahn. - esse foi o único som que ela emitira na conversa, acompanhado de um sorriso um pouco amedrontado.
- Ah não, agora você está com medo de mim. Olha, desculpa pela minha aparição assim, repentina, é só que como eu já disse, já tem uns dias que eu venho te observando e, por favor, não ache que eu sou algum maníaco sexual ou algo assim. É só que... bom, da primeira vez que eu te vi, tua blusa do "Arctic Monkeys" me chamou atenção, sabe? Assim, eu gosto muito dessas bandas britânicas. E, depois eu olhei pra ti, sei lá, eu me encantei.
Lisa continuou olhando para o desconhecido que continuava sentado na escada. Ele olhava para ela, e quando ela fixou os olhos nele, o garoto desviou o olhar. Lisa então, repentinamente, sentou-se ao seu lado na escada e o olhou, agora com interesse e curiosidade.
- Hm, mas... como você sabe meu nome, então?
- Quando você chegava aqui com seu namorado --
- Espera, meu namorado? - Lisa o interrompeu, sem pensar em educação ou algo do tipo.
- É, aquele garoto que sempre chega com você.
- Espera aí, o Felipe? Meu Deus, como você pode achar que o Felipe é meu namorado? Ele é só um amigo que mora perto de mim e com quem eu pego carona.
- Então você não tem namorado? - um sorriso brotava entre os lábios do jovem rapaz.
- Não. - Lisa sorria, envergonhada com a felicidade que o rapaz demonstrara.
- Então, como eu dizia, eu sei teu nome porque quando eu te via chegando, eu sempre via o... Felipe conversando contigo, então eu o ouvi falando teu nome e guardei. E sempre que tu chegava era quando eu ia entrar na sala. Até tiveram umas vezes que eu me atrasei porque esperava tu chegar para poder entrar na sala. Eu sei que isso pode soar estranho, mas...
Antes que ele pudesse dizer outra coisa, o sinal tocou. A aula de Lisa começaria dali cinco minutos.
- Posso só te fazer uma pergunta? - ela parecia envergonhada.
- Claro, Lisa.
- Se quando eu chego, você já tem que entrar na sala, o que você tá fazendo aqui fora? - sua sobrancelha esquerda arqueou-se, como sempre acontecia quando Lisa tinha alguma dúvida.
- Hoje é sexta, não é?
- É.
- Veja bem, às sexta-feiras eu não tenho aula.
- Então... por que você --
O garoto silenciou Lisa com seu olhar.
- Você sabe bem o porquê. Adeus, Lisa.
Ela o viu ir embora, silenciosamente, repentinamente. Do mesmo jeito que chegou.